O e-book é um livro

Texto de Thiago Ferro, na PublishNews

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Imagem da internet

O título deste curto artigo pode parecer tolo, e talvez até seja. Mas em alguns momentos descer até o nível mais simples do assunto me parece uma boa estratégia para desmistificar certos debates.

Não são poucos os apocalípticos que ainda falam sobre os riscos do livro digital: ele seria uma ameaça à cultura ocidental, à saúde dos olhos, ao pensamento como um todo, ao poder de concentração e, de quebra, ainda acabaria com esse objeto tão querido de todos nós que é o livro de papel. A ironia do debate é que muito provavelmente artigos assustadores que lançam esse tipo de maldição, carregados de pseudociência, você leu em uma tela de computador ou tablet ou ainda no seu smartphone!

Deixemos de lado por enquanto o tema livro digital para buscarmos algumas comparações interessantes.

O digital modificou em vários aspectos boa parte da indústria cultural. Eliminou alguns intermediários, criou espaço para novos agentes, abriu as portas para empreendedores e tornou o acesso ao patrimônio cultural muito mais fácil.

Música é música. Seja em um disco de vinil, CD, mp3 ou em alguma assinatura porstreaming. Em poucos cliques você escuta o último álbum do David Bowie ou a 9ª de Beethoven. Aliás, nunca se falou em e-music…

No caso do jornalismo, algo semelhante ocorreu: notícia é notícia, informação é informação, seja ela em papel ou em uma tela de qualquer tipo. Também aqui, apesar dos modelos de negócio ainda estarem sendo testados, quem poderia negar que a informação tornou-se mais dinâmica e plural?

Ampliando um pouco a ideia de cultura, muitas amizades nasceram através do Facebook (bem como inimizades) e namoros e casamentos tiveram sua primeira faísca via Tinder. Nem por isso os amigos deixaram de se encontrar ou as baladas desapareceram do gosto dos mais jovens.

Em todos esses exemplos podemos notar que os apocalípticos erraram ao profetizar sobre o fim da música, do jornalismo, da amizade e até do amor. E por que apenas no caso dos livros digitais eles estariam certos?

Apostar em uma novidade não é abandonar o espírito crítico. Não é deixar conquistas para trás. O falecido Umberto Eco muito nos ensinou através de sua própria ação no campo cultural sobre o difícil, mas necessário, equilíbrio entre as posturas apocalípticas e integradas. Se ele tivesse se fechado em uma delas, ou não teríamos o brilhante semiólogo ou o romancista que não teve medo de enfrentar a cultura de massas e vender milhões de livros (sem com isso abrir mão da qualidade literária). O próprio Eco se declarou contrário ao e-book quando este surgiu. Alguns anos depois comentou que estava adorando ler em um iPad e que podia carregar todos os livros necessários para uma palestra em um único objeto. Fiquemos com a lição do mestre: não é preciso bater o pé numa posição até criar raízes. É possível aproveitar o melhor dos dois mundos.

Quem seria contra um livro que pode ser comprado em qualquer parte do mundo em questão de segundos? Quem não gosta de um livro com preço de capa mais barato?

***

Minha experiência com a e-galáxia, em que só lançamos livros digitais, tem sido gratificante. Os autores já sabem muito bem a importância do e-book. E faz tempo. Em pouco menos de três anos publicamos obras importantes, tanto de autores consagrados como de iniciantes desconhecidos, e conseguimos acumular cases de sucesso.

Termino deixando o convite para que você experimente o livro digital e lembre-se de que boa parte do seu cotidiano e acesso a bens culturais já se dá graças e por meio das tecnologias digitais. E você não precisa dizer que leu isso em um e-texto.

Quem apostou contra o novo, normalmente perdeu. A luz elétrica, o automóvel, a fotografia e o cinema, o rádio e a escada rolante não nos deixam mentir.

O importante é ler. Literatura é literatura, tenha cheiro ou não.

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