‘Doutor Google’ dará dicas sobre doenças com base em sintomas pesquisados

De acordo com a empresa, o objetivo é evitar ‘ansiedade’ e ‘estresse’ desnecessários que ocorrem com resultados alarmantes

Segundo o Google, 1% das buscas realizadas no site são sobre sintomas de doenças – muitos até chamam o buscador de “Doutor Google”.

Mas, de acordo com a empresa, essa tentativa de se chegar a um diagnóstico a partir da consulta a publicações virtuais tem causado problemas. Um deles é a pessoa achar que, a partir de alguns sintomas, está com alguma doença grave e assustadora.

Quem fizer pesquisas pelo celular nos EUA sobre sintomas simples, como “dor de cabeça” ou “coceira”, obterá resultados com dados do próprio Google.

Trata-se de mais um esforço da empresa para fornecer informações diretamente ao usuário sem que este deixe o buscador ao clicar nos links de outros sites. Segundo a companhia, o serviço tem o objetivo de evitar “ansiedade e estresse” desnecessários.

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(Foto: Divulgação)

Como funcionará o diagnóstico do Google

O Google relacionará a cada termo uma lista de doenças, como “sinusite”, “enxaqueca” ou “gripe”. As informações serão acompanhadas de opções de tratamento, onde obter dados mais aprofundados na rede, quais casos podem justificar uma visita ao médico e qual a especialização indicada.

O resultado aparecerá em destaque no topo da página, seguido pelas informações obtidas normalmente em outros sites pelo mecanismo de busca do Google.

A diferença é que a informação em destaque terá passado previamente pelo filtro de especialistas consultados pela empresa. Entre esses estão quadros da Harvard Medical School e da Mayo Clinic – instituição médica americana sem fins lucrativos.

Os dados estão disponíveis desde o dia 27 de junho em buscas feitas por celular no site do Google e em aplicativos para Android e iOS nos Estados Unidos. Mas o sistema deve ser ampliado também para outras línguas e plataformas – a empresa não informa quando isso ocorrerá.

Os diagnósticos de internet

A despeito da qualidade da informação, a internet se tornou uma influente fonte sobre saúde. Segundo estudo da Northwestern University, 84% dos adolescentes com 12 a 18 anos nos Estados Unidos buscam informações sobre saúde on-line – em comparação, apenas 3% obtêm esse tipo de informação em jornais. Desses, um em cada três alteraram os seus hábitos influenciados pela internet.

É preciso, porém, tomar precauções sobre o  uso do “Doutor Google”. Ana Flávia Pires Lucas D’Oliveira, professora de medicina preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, por exemplo, afirma que sintomas e doenças devem ser sempre discutidos com um médico.

Mas ela avalia como positivo que os pacientes cheguem às consultas munidos de informações sobre os próprios problemas.

“Tem muitos médicos que têm preconceito contra o ‘Doutor Google’, mas quando a fonte é de qualidade, ela gera uma relação menos assimétrica entre paciente e profissional de saúde e permite uma participação maior [do paciente] sobre o seu próprio cuidado, algo que deve ser incentivado”

Ana Flávia Pires Lucas D’Oliveira – Professora de medicina preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em entrevista ao Nexo

Albert Einstein tem parceria com o Google Brasil

A empresa de tecnologia também tem oferecido conteúdo próprio para buscas sobre saúde no Brasil. Atualmente, se um brasileiro faz uma busca por “dor de cabeça em um lado só” recebe os resultados normais filtrados pelo algoritmo de busca. Entram na lista reportagens de grandes portais de notícias, verbetes de sites especializados em saúde e, claro, uma discussão do Yahoo Respostas sobre o tema.

Quando se busca por doenças específicas, como “catapora”, no entanto, o buscador mostra, do lado direito da página, um verbete com a palavra elaborado pela própria empresa junto a entidades especializadas de várias regiões do globo.

A instituição usada como referência no Brasil é o Hospital Albert Einstein. Mas a lista de parceiros inclui também a Mayo Clinic, dos Estados Unidos, e Apollo Hospitals, da Índia, por exemplo. No Brasil, os verbetes estão disponíveis desde março.

Busca por catapora no Google Brasil.png

(Foto: Reprodução)

De acordo com o Albert Einstein, já foram elaborados 500 verbetes. Outros 500 devem ser lançados no futuro. O mecanismo pode evitar que internautas cheguem a informações de baixa qualidade, um problema frequente de sites brasileiros sobre saúde.

Segundo trabalho de pesquisadores das faculdades de medicina de Jundiaí, Botucatu, e ABC, buscas por diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica e infarto agudo do miocárdio, remetem, em geral, a informações de baixa qualidade. A pesquisa afirma que:

  • 20%
    Das páginas não tinham informações adequadas sobre o tratamento completo de hipertensão arterial sistêmica
  • 30%
    Daquelas relacionadas com infarto agudo do miocárdio tinham o mesmo problema
  • 35,5%
    Das que traziam informações sobre diabete mellitus tinham informações inadequadas sobre tratamento

 

Nova estratégia do Google

A nova ferramenta é mais uma medida por meio da qual o gigante de buscas fornece informações sem que seja necessário clicar nos links de outros sites. Isso já ocorre com a tradução de palavras ou informações sobre a população de cidades brasileiras, por exemplo.

O resultado imediato da nova ferramenta deve ser uma queda do tráfego dos sites especializados em saúde, que ficará mais concentrado no próprio Google e nas referências escolhidas pela empresa.

Fonte: Nexo (adaptado)

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