Os primeiros passos para a filosofia em “O Mundo de Sofia”

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“O Mundo de Sofia” é um clássico da literatura e é o livro mais emprestado das Bibliotecas da UCS nos meses de abril, maio e junho. Um romance que ensina a filosofia de uma forma dinâmica e simples, alcançando todas as idades. Em que pese seja amplamente visto como um livro infanto-juvenil, dada a história que embasa a obra e a forma em que é narrada, a profundidade alcançada pelo autor, dentro da intencional limitação, é notória e merece aplausos.

O romance filosófico conta a história de Sofia Amundsen, a qual prestes a completar seus quinze anos passa a receber bilhetes e cartões anônimos com teor um tanto quanto peculiar. As mensagens consistem em perguntas como “Quem é você?” e “De onde vem o mundo?”. Com o transcorrer da história, a protagonista passa a receber cada vez mais mensagens do tipo, evoluindo tal situação para um curso de filosofia por correspondência. Aos poucos Sofia também vai se aproximando e conhecendo cada vez mais o responsável pelos ensinamentos enviados. Enfim, é um livro que cativa o leitor. O desfecho é surpreendente. Quem já leu, concorda. Quem não leu, precisa – fica aqui a sugestão.

O que busco expor brevemente neste escrito é o que já adiantei no primeiro parágrafo do sucinto texto: o êxito com louvor do autor em transmitir os conceitos essenciais dos principais pensadores da filosofia da maneira como foi feita. Belo e surpreendente, o livro trabalha de forma expositiva com a propedêutica filosófica, demonstrando pontualmente várias ideias de tal disciplina de maneira concatenada, sempre mesclando com a história principal que evolui com o decorrer das páginas.

O meu contato com a obra foi tardio. Por indicação de minha esposa, acabei lendo “O Mundo de Sofia” enquanto cursava a faculdade de direito. Surpreendi-me com a excelência de Jostein Gaarder em romancear a história da filosofia. De lá para cá, a obra ainda consta entre as minhas leituras preferidas.

É mais do mesmo – não tem nada de novo”, ou ainda “é apenas uma forma bonitinha de se contar o básico da filosofia”, foram algumas das críticas que já ouvi de alguns poucos amigos leitores que não acharam a obra tão surpreendente assim. Discordo de quem assim pense num tom de desdém para com o livro. De fato, a afirmativa de que a obra é uma forma “mais bonitinha” de se contar o básico da filosofia está correta. Só não vejo como isso se enquadra como uma crítica. O livro, principalmente, é um romance, cuja roupagem que recebe é a narrativa sobre a história da filosofia. Não há a pretensão de se destrinchar as construções filosóficas de grandes pensadores que são expostas no romance. Longe disso. A ideia é justamente expor somente o básico, o suficiente para despertar o interesse no leitor sobre alguns pontos da filosofia (não muito diferente inclusive do que se vê em alguns livros de história da filosofia não romanceados). Já quanto a alegação de que não haveria nada de novo na obra, minha discordância se dá em duas formas: (1) o próprio livro se diz como um romance da história da filosofia, de modo que sendo uma exposição histórica e sem qualquer intento crítico, o autor se ateve ao objeto histórico abordado tal como deveria o ser, ou seja, em tal sentido a crítica não se sustenta; (2) o jeito utilizado pelo autor para fazer a exposição (romancear um curso de história da filosofia com uma história surpreendente) foi inovador, sim.

A sacada de Jostein Gaarder foi genial. Em que pese a obra seja usualmente classificada como “literatura infanto-juvenil”, entendo que em realidade é um romance que não deveria ter tal indicação. Mesmo o sendo, a leitura alcança todas as faixas etárias, já que não são apenas crianças, adolescentes e jovens que necessitam receber uma dose de conhecimento básico da filosofia a fim de despertar o interesse no aprofundamento em tal área do saber. Ganham comentários no livro os pré-socráticos, Platão, Aristóteles, Descartes, Locke, Berkeley, Kant, Hegel, Marx, Freud e muitos outros, além de várias escolas filosóficas também ganharem destaque. O encerrar da história também se dá de forma filosófica, vez que pautada num exercício de cunho existencial.

Fonte: Literatortura (adaptado)

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