cartas-do-papai-noel-tolkien

Lembram-se de quando eram crianças e, por algumas vezes, receberam uma carta como resposta do Papai Noel? Claro que não é lá um costume muito amplo, mas foi algo que marcou a infância dos filhos de J.R.R.Tolkien. É isso mesmo!! O autor dos aclamados livros que compõem a história do Senhor dos Anéis e O Hobbit fez a magia da infância de seus filhos com uma coletânea de cartas que vinham como respostas anuais do “Pai Natal” paras as cartas enviadas a ele, e o autor não poupou esforços para fazer suas crianças se encantarem com as fantásticas histórias contadas pelo Pai Natal em suas cartas.

Já ressalto que essas cartas não foram feitas com o objetivo de publicação; elas viraram um livro após 50 anos que foram escritas, e J.R.R.Tolkien já havia falecido, ou seja, as cartas presentes no livro “Cartas do Pai Natal” têm um valor imensurável e bem distante do glamour da publicação em si.

Ao longo dos anos, Tolkien elaborou personagens e aventuras contadas pelo Pai Natal e as contava como se fossem os últimos acontecimentos do Pólo Norte… Havia, por exemplo, o Urso Polar, fiel e desastrado ajudante do Pai Natal, icônico urso que tanto quase destruía os natais acidentalmente, como também os salvava algumas vezes, como da vez que salvou o natal dos terríveis Goblins, criaturinhas maldosas e traiçoeiras, (mas antes de salvar tudo, ele ficou perdido numa caverna onde moravam os goblins, afinal de contas, o urso era encantadoramente desastrado).

As cartas não vinham só com histórias; certa vez um dos filhos de Tolkien o indagou sobre esse Pai Natal, como ele era e onde morava, curiosidade clássica de crianças, logo o Pai Natal resolveu mostrar ao garotinho como ele era e como era o seu lugar por meio de desenhos! Muitos desenhos foram recebidos juntos com as incríveis aventuras do Pai Natal e do Urso Polar.

Casa do Natal 1920

Pólo Norte

Querido John:
Ouvi dizer que perguntaste ao teu papá como é que eu sou e onde vivo. Desenhei-me a Mim e à minha Casa para tu veres. Toma conta do desenho. Vou agora mesmo partir para Oxford com o meu monte de brinquedos…alguns são para ti. Espero chegar a tempo: esta noite, a neve está muito espessa no Pólo Norte.

Já a última carta enviada mostrava um melancólico tom, não só pelo caráter de despedida, mas também pela situação histórica vivida no momento: a Segunda Grande Guerra assolava o mundo, e o Pai Natal relatou que crianças e presentes ficavam escassos…

Última carta

Casa do Natal- Pólo Norte

 

Estou contente por me escreveres outra vez este ano. O número de crianças que me escrevem é cada vez mais pequeno. Penso que o culpado seja esta maldita guerra. Até aqui temos encontrado vários problemas com a escassez nas lojas, por isso tenho de enviar o que posso e não o que querem. 
Deves-te lembrar que tivemos alguns problemas com Goblins no passado, que pensávamos ultrapassados. Mas voltaram neste Outono e ainda pior. Eles atacaram a minha casa e levaram tudo, o que me fez temer que não existissem mercadorias de Natal por todo o mundo. Não seria uma calamidade? Não aconteceu e muito se deve ao urso polar, mas só no início deste mês foi possível enviar mensageiros. O Urso diz que vieram aos milhares, mas apesar de serem muitos, era um exagero.
Houve uma grande batalha e o Urso Polar foi indispensável para a nossa vitória (espero que não pense o mesmo). Mas é óbvio que ele é uma criatura realmente mágica e os Goblins pouco lhe podem fazer, cheguei a ver flechas fazerem ricochete no seu corpo.
Isto deve explicar porque não tive tempo para desenhar este ano, o que é uma pena, e também os motivos porque não posso oferecer o que pretendes.
Suponho que para o ano não pendures as meias. Tenho de dizer “adeus”, mais ou menos, mas nunca te vou esquecer. Vemo-nos de novo quando tiveres uma casa e crianças tuas…

É assim que Tolkien faz o Pai Natal dizer adeus a seus filhos… Em 1976 a família reúne as cartas e realiza uma publicação póstuma, dando acesso para o mundo ao querido Urso Polar, ao Pai Natal e a essa magia com que o autor presenteou seus filhos por tantos anos. Eis que nasceu “Cartas do Pai Natal”.

Revisão Maria Eduarda Campos

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