Em exposição o livro deixará de ser apenas mais uma publicação entre as milhares protegidas por um couro marrom – Steven Haywood/National Trust

 

RIO – Um livro que ajudou a mudar a história do Reino Unido foi descoberto entre milhares de outros enfileirados nas prateleiras da biblioteca de Lanhydrock, uma mansão em Cornwall protegida pela organização National Trust. A obra, publicada em 1495, foi usada para embasar os argumentos dos advogados do rei Henrique VIII durante o processo de anulação de seu casamento com Catarina de Aragão na década de 1530. O divórcio levou a Inglaterra a romper com a Igreja Católica em Roma.

A história é conhecida de qualquer aluno do ensino médio. Henrique VIII estava irritado porque, em sua visão, Catarina parecia incapaz de gerar um herdeiro do sexo masculino. Por volta de 1525, ele teria se apaixonado por Ana Bolena, irmã de sua ex-amante, Maria Bolena. O rei se casou com Ana em 1533, mas o Papa Clemente VII, que jamais reconhecera a anulaçao do casamento anterior, declarou que Catarina continuava sendo a Rainha da Inglaterra. Henrique VIII, então, decretou o Ato de Supremacia, no qual ele próprio se declarava o chefe da Igreja da Inglaterra.

Na época, o monarca estava atrás de teses e provas para embasar a sua busca por autonomia em relação a Roma. Trechos do livro recém-descoberto em Cornwall, que contém um resumo das teorias do filósofo e teólogo medieval Guilherme de Ockham, foram consultados pelos advogados do rei. Quem garante isso é o professor americano James Carley, especialista na biblioteca de Henrique VIII e responsável pelo achado.

“Foi um momento incrível. A velha longa galeria aqui tem o comprimento de um campo de futebol, e o professor rodou cerca de seis vezes quando encontramos o livro”, disse ao jornal “The Guardian” o gerente da casa e das coleções em Lanhydrock, Paul Holden.

O livro “escapou” de um desastroso incêndio na casa em 1881. Ficou danificado, mas ainda carrega o número 282 escrito em tinta preta no canto superior direito, que James Carley identificou como correspondente com um inventário retirado em 1542 dos mais importantes dos livros do monarca, cinco anos antes de sua morte.

Apesar de não haver nada da caligrafia de Henrique no livro, Carley tem certeza de que este foi consultado durante os anos em que o rei estava procurando desesperadamente uma maneira de se livrar de Catarina. Essa teria sido a razão para o livro de Ockham ir parar na biblioteca real. O teólogo escreveu em latim sobre os limites do poder do papa e a independência da autoridade dos monarcas. Várias páginas no livro têm passagens marcadas por secretários para chamar atenção do rei, incluindo uma seção crucial, com um título que se traduz como: “Quando é autorizado retirar-se da obediência ao Papa”.

A relíquia agora será exibida pela primeira vez como um objeto principal, em vez de mais um livro de couro marrom, entre milhares, numa exposição, quando a casa reabriu ao público no dia primeiro de março.

Fonte: O GLOBO

 

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