Urbim morreu no Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre na manhã desta sexta-feira

Morre o escritor gaúcho Carlos Urbim  Adriana Franciosi/Agencia RBS
Em 2009, quando completou 25 anos de carreira literária, Urbim foi eleito patrono da Feira do Livro da Capital Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS

Morreu na manhã desta sexta-feira, aos 67 anos, o jornalista e escritor gaúcho Carlos Urbim. Ele se encontrava no Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, onde se recuperava de um aneurisma. Foi submetido a uma cirurgia e não resistiu. O velório ocorrerá no Centro Municipal de Cultura (Av. Erico Verissimo, 307) das 16h30min às 21h30min, quando haverá uma cerimônia. Depois, o corpo será encaminhado para cremação.

Autor de clássicos da literatura infantil, Urbim buscava na própria infância a inspiração para suas histórias. Como cresceu em Santana do Livramento, elas vinham com um sotaque próprio da fronteira, o mesmo que ele manteve depois de deixar a cidade e se mudar para Porto Alegre.

– Esse olhar dos meus livros ainda é o olhar do guri que eu fui lá em Livramento – disse a Zero Hora em entrevista realizada em 2009.

http://videos.clicrbs.com.br/rs/zerohora/videonews/114138

Essa verve autobiográfica apareceu forte em seu primeiro livro, Um Guri Daltônico, de 1984, que refletia a vivência do autor como um menino que confundia as cores.

– Eu tinha uma vantagem sendo daltônico: nunca senti inveja daquelas meninas que tinham estojos enormes, com 96 cores de canetinhas e lápis de cor. Pra mim, bastavam duas ou três, já que as outras eu confundia mesmo – contou ele, no talk show Encontros com o Professor, em outubro de 2009.

Até hoje, Um Guri Daltônico é uma de suas obras mais conhecidas. Mais tarde viriam muitos outros livros, como Uma Graça de Traça, Diário de um Guri e Saco de Brinquedos, que se tornariam expoentes da literatura infantil produzida no Estado e seriam, inclusive, adaptados para o teatro.

Discípulo assumido de Mario Quintana, Urbim recorria bastante à poesia para cativar seus jovens leitores. Ele, que escrevia a partir de um olhar infantil de inocência, insistia que a literatura voltada às crianças deveria prezar por essa característica. No meio literário, era conhecido por seu temperamento afável e generoso.

Durante a infância, distraía-se com brincadeiras de rua como carrinho de lomba e pipas – atividades que, mais tarde, seriam citadas em seus livros. Mesmo adulto, manteria-se fiel ao universo lúdico dos primeiros anos em Livramento por meio de hábitos como colecionar brinquedos do mundo inteiro e produzir outros a partir de objetos diversos.

O escritor vivia desde os 18 anos em Porto Alegre, onde ingressou na faculdade de jornalismo da UFRGS. Começou a trabalhar com jornalismo em 1969, passando por redações de diversos veículos, entre eles Diários Associados, Folha da Manhã, IstoÉ e Diário do Sul.

Em Zero Hora, durante 10 anos foi editor de cadernos como Revista ZH, Caderno Vida, Caderno de Cultura e Segundo Caderno. Grande admirador da cultura gaúcha, também foi roteirista de televisão e coordenou a pesquisa e redação de especiais da RBS TV, como Rio Grande do sul: Um Século de Históriae Os Farrapos.

Os trabalhos foram reunidos em livros mais tarde e lhe renderam o Troféu Top de Marketing da ADVB-RS em 1999 por Rio Grande do Sul, Um Século de História I e o Prêmio Açorianos de Literatura 2001, categoria especial, por Rio Grande do Sul, Um Século de História – I e II (Mercado Aberto, 1999/2000). Atuou em rádio e foi diretor da rádio da UFRGS por duas vezes.

Também lecionou redação jornalística na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), onde conheceu a aluna Alice, que se tornaria sua esposa e passaria a usar seu sobrenome. Quando se tornou pai de dois meninos, Urbim adotou a rotina de chegar em casa e contar histórias a eles. Foi assim que despertou para a literatura infantil.

Em 2008, Urbim ingressou na Academia Rio-Grandense de Letras, onde ocupou a cadeira de nº 40. Em 2009, ano em que completou 25 anos de sua estreia na literatura, foi eleito patrono da Feira do Livro de Porto Alegre e fez jus a sua obra desempenhando o papel de “patrono das crianças”. Também foi patrono da Feira do Livro de Caxias, em 2003, e da Feira do Livro de Passo Fundo, em 2012.

Além da mulher e dos filhos Glauco e Emiliano, deixa o neto Miguel.

Fonte: Zero Hora

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