Pequena bibliografia sentimental de Edson Nery da Fonseca

Dormiu Edson Nery da Fonseca. Ficamos tristes, todos os bibliotecários perdemos alguém importante. Não existe um bibliotecário brasileiro que não tenha o conhecido de alguma forma. Se não o conheceu, não pode ser bibliotecário. Escrevi diversos textos em blogs falando do que o Professor significa para mim, e minha homenagem a ele acabou sendo sugerida pelo Moreno Barros: bibliografia sentimental. O sentimento, nesse caso, é o meu em relação à bibliografia escrita pelo Professor. É o que eu tento fazer abaixo: Bibliografia sentimental de Edson Nery da Fonseca.
Os primeiros contatos que tive com Edson Nery da Fonseca foram através dos textos que eu lia no Diário de Pernambuco e no Jornal do Commercio. Sempre gostei de ler a parte de cartas/opinião, e vez ou outra notava que os textos dos quais eu mais gostava estavam os desse autor Edson Nery da Fonseca. Com aquele nome gravado, acabei notando que um livro que meu pai tinha em casa chamado “O Recife de Manuel Bandeira” tinha sido organizado justamente por aquele autor de quem eu gostava de ler as opiniões. O livro é muito belo, grande, os poemas trazem textos de Edson sobre Bandeira e sobre o poema em si. É uma aula tanto de poesia quanto de pernambucanidade. E o livro me aproximou tanto de um quanto de outro.
recife de manuel bandeira
Alguns anos depois, já na universidade, vez ou outra escutava algum professor, especialmente as professoras Gilda Verri e Silvia Cortez, magníficas sempre, citando Edson Nery da Fonseca. E nunca foi en passant. Parece que falar do Professor era uma aula à parte. E foi nesse meio tempo que através de um Grupo de Estudos formado pelos amigos Uiraquitan Coutinho (in memorian) e Karine Villela que tive contato com o texto que posso dizer mudou minha visão da biblioteconomia: “Ser ou não ser bibliotecário”. Sentimentalmente, esse texto me fez decidir que profissional eu buscaria ser dali pra frente. Ainda nesse momento de fervor, em uma palestra organizada pelo Grupo de Estudos, tive o prazer de conversar um pouco com o Professor e receber dele o livro “Acertos e Desacertos da Biblioteconomia”, com dedicatória e tudo.Também das mãos do Professor, mas sem autógrafo, recebi o livro “Ramiz Galvão”, uma biografia que mostra toda a humildade de quem se sente alegre por escrever sobre uma outra pessoa.A Professora Gilda Verri, em 2001, por ocasião dos 80 anos do Professor, organizou um livro chamado “Interpretação de Edson Nery da Fonseca”, em que várias personalidades falam sobre o Professor. Um livro belíssimo e importante para entender quem é uma pessoa na visão de quem o conhece. Como o Professor caminhou por várias áreas, religiosa, acadêmica, militar, literária, jornalística, Freireana, então o livro é um apanhado de grandes nomes que escreveram sobre Edson Nery da Fonseca ao longo do tempo, de Álvaro Lins a Eva Grabouer, dando suas opiniões. É um livro que ainda hoje gosto de ler um relato ou outro a fim de entender como alguém sempre polêmico consegue ser tão grande, sem forçar a simpatia.
edson nery
Quando li “Vão-se os dias e eu fico”, que é a sua autobiografia, por assim dizer, fiquei impressionado como o Professor foi tão forte em tantos momentos de sua vida. Sempre altivo e forte. Foi um homem sem medo.E me preparo para ler “Estão todos dormindo”, seu livro de memórias em homenagem aos amigos que dormiram antes dele. Vou aguardar mais um pouco.
Fonte: Bibliotecários Sem Fronteiras

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