Escritores na Time

Poucas pessoas podem dizer que já foram capa da Time, uma das principais revistas semanais do mundo. Quando se fala em escritores, então, esse número cai ainda mais. Fundada em 1923, apenas 73 já tiveram a honra de ter a cara estampada entre as famosas bordas vermelhas.

O primeiro deles foi Joseph Conrad, já na sexta edição, em abril de 1923, na reportagem A great novelist to visit the United States. Nos seis primeiros anos da revista, 13 escritores diferentes estiveram na capa, sendo que Eugene O’Neill, vencedor do Nobel da Literatura em 1936, ainda apareceu duas vezes.

Foi durante os anos de 1930 e 1939 que os escritores mais apareceram. Foram 23 capas, com nomes como James Joyce (em duas ocasiões – 1934 e 1939), Virgínia WoolfWilliam Faulkner e Ernest Hemingway. Porém, do início da década de 40 até hoje, esse número só caiu.

Nos últimos 12 anos, por exemplo, apenas dois autores mereceram a capa, de acordo com a Time. Em 2000, Stephen King apareceu pela segunda vez na revista (a primeira foi em 1986), mas não por causa de um livro ou a carreira, e sim pelas possibilidades que ele mostrou ao publicar o conto Riding the Bulletonline. O autor parou na capa da Time porque o seu conto foi o primeiro a ter uma estratégia de venda em massa na internet. A 2,50 dólares, Riding the Bullet foi um sucesso de vendas nunca antes visto, totalizando mais de 4000 downloads nas primeiras 24 horas de venda. Porém a participação de King nessa edição ficou restrita a dois parágrafos na matéria de capa.

Já em 2010, o escritor norte-americano Jonathan Franzen, autor de Liberdade e As correções, estampou a capa e uma matéria intitulada Great American Novelist. O mais curioso é que o próprio Franzen havia criticado, em um artigo para a Harper’s Magazine intitulado Perchance a dream – In the age of images, a reason to write novels, as escolhas recentes de escritores para a capa da Time. Segundo ele, o seu pai, “que não era um leitor, mas apesar disso adquiriu alguns conhecimentos sobre James Baldwin e John Cheever porque a Time os colocou na capa”. Por causa desses nomes que já estamparam a capa da revista, Franzen diz que houve uma mudança nos perfis de escolha, e, segundo ele, isso seria mais um sinal do declínio cultural norte-americano. Ele exemplifica o caso citando dois escritores que foram capas em períodos distintos: James Joyce, na década de 30, e Scott Turow, em 1990.

Essa polêmica levantada por Franzen e a análise da participação dos escritores nos quase 90 anos da revista Time foi apresentada pelo site The Million. Ele reuniu todas as capas que apresentaram autores e as respectivas matérias de cada um. Confira algumas abaixo e entre no site para ver todas.

Fonte: Pra ler, por Brunin Assis

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