Mo Yan e as justificativas do Prêmio Nobel

Em chinês, Mo Yan significa “não fale”. O nome que o escritor Guan Moye, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 2012, decidiu carregar, diz muito sobre como ele e sua obra se relacionam com seu país, onde a censura é uma prática frequente. A crítica à sociedade chinesa é um dos temas fortemente tratados em seus livros. Na escolha da Academia Sueca, uma clara dimensão política (veja mais aqui e aqui)

A apesar de ainda pouco conhecido no Ocidente, Mo Yan é um dos autores mais famosos na China. Algumas de suas obras já foram traduzidas para outras línguas, entre elas inglês, espanhol, francês e alemão. Aqui no Brasil, nenhum livro do escritor foi lançado por enquanto, mas você pode matar sua curiosidade sobre o trabalho de Mo Yan com o trecho inicial do romance Life and death are wearing me out  (em português, algo como A vida e a morte estão acabando comigo), traduzido por Sérgio Rodrigues.

Como justificativa para a escolha de Mo Yan, a Academia Sueca destacou o seu “realismo alucinatório, que funde contos folclóricos, história e contemporaneidade”. Bem, digamos, poética a justificativa, não? Talvez até um pouco enigmática. De toda forma, bem característica. As indicações da Academia vem sempre acompanhadas de frases curtas e diretas que tentam resumir a obra do autor e justificar a escolha.

Conheça as justificativas para a escolha dos dez últimos Nobels:

1) 2012 – Mo Yan, por seu realismo alucinatório, que funde contos folclóricos, história e contemporaneidade foi considerado o grande nome da literatura pela Academia Sueca neste ano.

2) 2011 – Tomas Tranströmer foi premiado por que, através, de suas imagens translúcidas e condensadas, ele nos dá novo acesso à realidade.

3) 2010 – Mario Vargas Llosa levou o Prêmio Nobel por sua cartografia de estruturas de poder e suas imagens vigorosas da resistência, revolta e derrota do indivíduo.

4) 2009 – quem recebeu o Nolbel foi Herta Müller que, com a concentração da poesia e a franqueza da prosa, retrata a paisagem dos despossuídos.

5) 2008 – Jean-Marie Gustave Le Clézio, escritor da ruptura, da aventura poética e do êxtase sensual, explorador de um humanismo que está além da sociedade dominante, foi quem recebeu o Nobel naquele ano.

6) 2007 – Doris Lessing recebeu o prêmio por ser uma narradora épica sobre a experiência feminina, que, com ceticismo, fervor e poder visionário, sujeitou uma civilização dividida ao escrutínio.

7) 2006 – Orhan Pamuk foi reconhecido com a medalha porque foi quem, na busca da alma melancólica da sua cidade natal, descobriu novos símbolos para o choque e o entrelaçamento de culturas.

8) 2005 – Harold Pinter, morto em 2008, recebeu o Nobel por que, nas suas peças, descobriu o precipício sob a conversa fútil do dia-a-dia e forçou a entrada nas salas fechadas da opressão.

9) 2004 – Elfriede Jelinek por seu fluxo musical de vozes e contra-vozes em romances e peças que, com extraordinário zelo linguístico, revelam o absurdo dos clichês da sociedade e seu poder de subjugar recebeu a premiação

10) 2003 – John M. Coetzee foi laureado com o Nobel porque, sob inumeráveis maneiras, retrata o envolvimento surpreendente do estranho.

Fonte: Pra ler

2 comentários sobre “Mo Yan e as justificativas do Prêmio Nobel

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s