Museu lança acervo on-line com registros de imigração

Informações inéditas estão abertas para download gratuito na internet

Documentos podem ajudar historiadores e familiares a saber mais sobre os imigrantes dos séculos 19 e 20

Um documento de caligrafia floreada, de 1893, atesta que cinco membros da família italiana Zoli chegaram ao país pelo porto de Santos.
Ele é parte do acervo, digitalizado ao longo dos últimos sete meses, do Museu da Imigração e do Arquivo Público do Estado. O banco de dados, lançado nesta semana, está disponível para download gratuito no site www.museudaimigracao.org.br .
São 87 mil registros de cartas, fotos, mapas, jornais e documentos de quem chegou a São Paulo subsidiado pelo governo da época.
Eles passaram pela hospedaria, que recebeu 2,5 milhões de imigrantes, entre 1887 e 1978, principalmente italianos e portugueses.
Sebastião Zoli Júnior, 48, pesquisa a família desde 1989, mas só agora teve em mãos documentos históricos. Ali está seu bisavô Girolamo (Gerônimo) Zoli, então com 23 anos, vindo de vapor da província de Ferrara, norte da Itália, indo para Capivari (SP), trabalhar com café.
“Para a gente que é descendente é até emocionante”, afirmou ele, que é conselheiro do Comites (Comitê dos Italianos no Exterior).
No histórico do vapor pode ter cartas, anotações, posso descobrir se alguém morreu no caminho”, aposta Zoli, que “perdeu” um L do sobrenome quando o funcionário da hospedaria anotou o nome de seu tataravô Giulio no registro de matrículas.
Para o historiador e genealogista Virginio Mantesso Neto, o site é importante para pesquisadores e familiares por trazer documentos que eram restritos, mesmo na biblioteca do Arquivo Público.
Um problema que ele aponta é no sistema de buscas do site, que não permite procurar nome e sobrenome de uma vez. Quem for pesquisar nomes comuns como Giovanni terá trabalho: há 26.364 registros de matrícula.
Carlos Bacellar, coordenador do Arquivo Público, órgão contratado para criar o site e digitalizar os documentos, diz que o sistema de buscas pode ser aperfeiçoado.
Mas diz que o site vai facilitar o trabalho das famílias que buscam seus antepassados para pedir certidões e tentar dupla cidadania.
O projeto foi financiado pela Secretaria de Estado da Cultura, por R$ 200 mil, que também banca a reforma de R$ 7,5 milhões para transformar o prédio que abrigou a hospedaria e, mais tarde, o novo Museu da Imigração.
Para o secretário de Cultura, Andrea Matarazzo, o instrumento preserva documentos antigos e democratiza o acesso da população a eles.
“A sociedade pode reconhecer suas origens e sentir a importância que a imigração teve no desenvolvimento de São Paulo”, diz.

Fonte: Folha de S. Paulo

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